Praxes | A verdade segundo quem vive a praxe e não segundo quem a estuda

Hoje é dia da Mulher, e eu tinha toda uma intenção de escrever algo sobre todas nós.
Mas ontem deparei-me com um estudo que foi noticiado pela tsf, que declara as praxes como nojo! Eu sei que o artigo tem 1 ano, mas eu nunca o tinha lido e fiquei intrigada.
O estudo fala de diversas práticas de humilhação, de músicas “escandalosas”, e ainda fala do excesso de bebidas alcoólicas.
Eu decido então, clarificar algumas coisas, e contar a minha experiência. Porque há imensas publicações a falar mal da praxe, mas falar bem, nem vê-las.
E aqui apresento o meu ponto de vista e a minha vivência.
As bebidas alcoólicas, estão há venda e ao dispor de qualquer um, que claro, possua idade para ingerir ou comprar.
Informo que não é regra obrigatória beber depois de entrar num curso do ensino superior, e muito menos é preciso beber para fazer amigos que iremos levar no nosso coração a vida toda, e menos ainda há alguém que seja obrigado a tal.
Falando do meu curso, pois só posso falar da minha experiência, onde fui praxada em 2012, e sou praxante desde 2014, e quando se fala mal da praxe e dos praxantes, também se referem a mim, pois, sendo um exemplo de uma praxante desta academia, com todas as blasfémias que correm no mundo dos media, eu vou mostrar o que vivi.
No meu curso, menores de idade não bebem!
Sabe porquê?
Porque os Veteranos que humilham os caloiros, não os deixam beber. Grande humilhação esta hein?!
Fazemos mal?
Eu pessoalmente tenho a certeza que não, e garanto que a maioria dos menores de idade que entraram e nós não deixamos beber, se queixam. Somos mesmo maus, não somos?
Mas porque raio se queixam? Onde estamos a errar em não deixar um menor beber?
Passando às músicas “escandalosas”, aqui na praxe, os caloiros têm de defender o curso, e muitas vezes há “competição” saudável entre cursos. E digam lá, há assim tanta gente que de vez enquando não solte uma “asneirita”? Eu que sou do norte, há calão que me sai naturalmente, sem eu sequer dar por isso. Por causa de ser assim, acham que sou menos instruída que alguém? Digo-vos que não! Até porque, se o nosso objectivo não for ofender ninguém, garanto que ninguém se sentirá ofendido.
Passemos às práticas de humilhação que fala. Ora bem, aqui na Covilhã, a praxe passa muito por brincadeiras, pelo menos no meu curso. Estas brincadeiras podem ser interpretadas de diversas maneiras, principalmente por quem está de fora e não vive a praxe.
Mas sabem qual é a verdade? Mais uma vez ninguém obriga ninguém! Se há um caloiro que não se sente confortável a fazer alguma coisa, não faz.
Sabem quando se referem às praxes de crime e castigo?
Apesar de não acontecerem como se fala, sabem quando acontecem no meu curso?
Vou dar dois exemplos!
Primeiro, quando um caloiro falta às aulas só porque sim. Se um caloiro está doente, ou tem qualquer problema, nós praxantes, e principalmente a comissão de latada do ano respectivo, responsabilizam-se em ajudar e levar o caloiro a ter atendimento médico se for o caso.
Mas faltar às aulas para ficar a dormir? Fazemos mal em “castigar” e levantar a voz, como uma chamada de atenção?
Eu acho que não! Até porque muitos pais esforçam-se para os filhos continuarem os estudos. Acham justo eles não cumprirem a única obrigação que têm? Ir às aulas, estar atento e fazer cadeiras, que no fundo é o que todos precisamos de fazer. Ir às aulas não custa! Fazemos mal, impormos que não devem faltar às aulas? A Universidade não é só praxe e copos. Sabiam?
O segundo, é quando algum caloiro falta ao respeito a algum colega. Fazemos mal também? Digam-me sinceramente! Futuramente os jovens que entram hoje no ensino superior, vão ingressar no mundo do trabalho, acham que alguém quer trabalhar com alguém que falte ao respeito e crie um ambiente menos favorável?
Nós vemos a praxe como actividades de integração, até porque a maioria dos caloiros, vêm sozinhos para cá, sem conhecerem nada nem ninguém. Eu vim sozinha, por exemplo!
Os nossos principais objectivos com a praxe é os caloiros conhecerem-se, serem unidos e respeitarem-se, sabem porquê? Porque é aquele grupo de 30/40 caloiros que entram juntos, que se vão acompanhar durante todo o percurso académico.
Quando fala de praxes nojentas, referem-se ao nosso baptismo! De facto é um nojo! Dou toda a razão a quem pensa assim! Mas é uma vez, uma experiência e uma tradição. E acreditem que não se vê lá ninguém contrariado.
Principalmente quem tem algum problema de pele, não faz. Sabem que nós praxantes animais e sem noção , temos bom senso e cuidado também!
Mas para ser clara vou partilhar aqui algumas fotografias, do meu percurso académico, incluindo praxe. Deixo desde já assente aos meus queridos amigos, que se algum de vocês não quiser ver aqui a foto digam-me que eu edito e elimino.
Quero que todos vejam, se há alguém, mal, contrariado e desrespeitado. E peço cuidado aos mais sensíveis, que segundo o mal que se fala das praxes, estas imagens podem ser aterrorizadoras, por isso se és sensível, não vejas!

Não irei por as fotos por ordem cronológica, mas irei explica-las todas. Achei por bem começar pela praxe de nojo. Aqui nesta foto, tínhamos acabados de ser baptizados com água e farinha pelo Imperatorum, e estávamos preparadíssimos para levar com o nojo todo em cima. Alguém triste? Esta imagem que partilho é do meu ano de caloira.

Aqui já somos nós! A colheita de 2012, todos baptizadinhos com os garrafões. Admito que o cheiro não é muito agradável, mas vêm alguém contrariado? No final o meu padrinho ainda me disponibilizou a bata dele caso eu tivesse frio.

Aqui foi a primeira vez que eu trajei, e então estamos aqui na foto, alguns caloiros do meu ano, e alguns praxantes. Todos com caras de poucos amigos não acham? Até porque a praxe foi traumática, e nós só estamos a sorrir para a foto para parecer bem! De facto a praxe cria laços e aqui vê-se bem!

Um ano depois! Os meus dois primeiros rebentos! Os meus primeiros afilhados! Sim eles estão de pijama, o primeiro jantar de curso é tradição os caloiros irem de pijama, mas obviamente que quem não se sente bem, vai normal. Vêm algum deles contrariado? Garanto que não fiz nenhuma ameaça para sorrirem para a foto.

Baptismo desse mesmo ano, 2013. Eu e o meu caro amigo Duarte, tínhamos acabado de Baptizar a nossa afilhada! Parece-vos triste ela? Não, pois não?

Estes caloiros na foto estão agora no terceiro ano! Isto trata-se de um rally tascas, mas obviamente ninguém obriga os caloiros a beber, e já sabem, menores de idade não bebem. No meu curso é tradição, os rapazes irem vestidos de raparigas, e as raparigas de rapazes.
Tirei foto com estes 4, mas não se preocupem que na praxe eu pergunto sempre se posso tirar a foto e publicar. Ninguém é obrigado a ir desta forma, é uma brincadeira, geralmente todos entram no espírito. Mas este ano lectivo inclusive, houve um caloiro que não se sentia confortável, e não houve qualquer problema, foi vestido normal, como se sentia bem.

Aqui nesta foto, ninguém é caloiro, mas lá nos “infliltramos” na festa de integração dos caloiros. Chamada Chorão de molho, 2013 penso eu.

Estas duas fotos, também são do Chorão de Molho, de à três anos atrás. E lá estou eu, Grão-mestre, no meio dos caloiros, basicamente a praxar-me, porque a praxe é má. Não se vê?

Já não me recordo do ano desta foto, mas muitos já cá não estão, ou na Covilhã, ou no curso porque seguiram áreas diferentes no mestrado. Aqui estão representados vários anos, vários ex caloiros e praxantes. Foi isto que a praxe nos trouxe. É mau?

Isto sou eu e os meus pedaçinhos do coração! Secalhar estávamos ligeiramente com os copitos, mas garanto que ninguém nos obrigou. Mas era altura de festejar, éramos finalistas e era a nossa benção das pastas!

Aqui as latadas são incríveis! E aqui estão mais pedacinhos meus! Sim tínhamos garrafas na mão e tal, mas mais uma vez ninguém nos obrigou, estejam descansados! Esta foto representa a latada deste ano!

Aqui está mais uma foto de uma latada, não me recordo bem do ano, mas pelo meu cabelo diria, 2015, talvez. não sei!

Por último deixo aqui mais uma foto de uma benção de mais dois pedacinhos meus.
Há alguém que ainda pense que aqui se passa terrores? Todos os anos saem publicações a falar mal da praxe, e todos os anos os caloiros vêm mais assustados por causa disso. Há necessidade?
Quanto ao frio, a praxe aqui, dura um mês, termina em Outubro. E com todas estas questões globais que infelizmente nos deparamos hoje em dia, em outubro aqui na serra ainda faz calor.
Falam mal da praxe e do espírito académico da Beira Interior, mas há tantas causa no mundo que secalhar mereciam sim essa atenção. Eu fico realmente triste quando alguém de fora fala do que não sabe.
Eu não escrevi isto para entrar em intrigas, escrevi para mostrar também a minha vivência!
O mal que se fala das praxes, foi estudado, eu não precisei de estudar, eu vivi e senti todo este espírito. Existe algum relato mais verdadeiro que as nossas experiências?
Eu tenho a certeza que não! Sou UBIANA com muito orgulho, e não poderia ter pedido melhor!
Xoxo, HYL

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