Batom Vermelho e a Sociedade

Comprei a Vogue Portugal de agosto 2018, e um pequeno apontamento lá acabou por dar vida a este post!

Hoje falo-vos do batom vermelho e da sociedade. Na revista estava citado, ” A relação feminina com os lábios-rubis sempre foi cheia de fogo – afinal, há muito poucos objectos deste tamanho que detenham dentro de si uma força psicológica tão poderosa – mas a sociedade nem sempre soube acompanhá-la.” in Vogue Portugal.

E isto deixou-me a reflectir, sobre os primeiro tempos que usei batom vermelho.

Sempre usei batom sem cor, ou gloss, e ainda hoje continuo a amar glosses, sempre tive o receio de chamar demasiado a atenção, e talvez por isso me tenha retraído um bocado, antes de mergulhar a sério no mundo da maquilhagem.

Ainda me lembro como se fosse hoje, houve um dia, as aulas terminaram mais cedo, e eu, a meio do meu 10º ano, ano lectivo de 2007/2008, tinha ido passar até à hora de apanhar o comboio com destino a casa. Perdi-me na rua de Cedofeita, era a zona de comercio mais perto da minha escola, sem contar com o shopping Bom Sucesso, claro. Mas no bom tempo queremos sempre andar na rua! Sempre adorei passear na rua, ainda hoje!

Não me perguntem por alma de que santo, mas depois de sair da Lefties, entrei num supermercado, actualmente não sei se ainda lá existe, não passo lá à imenso tempo. Lembro-me que entrei e fiquei vidrada em três expositores, um da Essence, um da Catrice e um da L’oreal.

A única coisa que chamou a minha atenção, naquele fascínio todo, em que nunca me tinha perdido em pensamentos mágicos, foi nada mais, nada menos, que um Batom vermelho! Mas vermelho, mesmo! Vivo!

Foi completamente intuitivo, peguei num, paguei! E nem pensei se me ficaria bem ou não, ou se corresponderia às miúdas da minha idade ou não.

Cheguei a casa, mostrei à minha mãe, e adivinhem qual foi a primeira coisa que ela disse… “isso não é apropriado para a tua idade” .

Mas para mim foi o menor, dos menores comentários, rapidamente se habitou, e até chegou a admitir que me ficava bem !

No dia seguinte de aulas, lá fui eu, feliz e contente, se bem que um pouco retraída, porque tudo o que era mais discreto, para uma pessoa não querer chamar a atenção, era de facto, um batom vermelho!

Já levei com alguns olhares admirados na rua, não sei se por usar batom vermelho fosse demasiado ousado, se por a sociedade não estar habituada a ver batons tão fortes e berrantes, numa mulher, ou numa miúda que fosse eu na altura.

Chegada à escola, o único comentário positivo que ouvi, foi de parte de um professor, a dizer que arrisquei mas que me ficava bastante bem, por ter a pele bastante clarinha. E até que comparou a uma actriz de um filme, cujo o nome não me recordo agora. SHAME ON ME!

Mas sim, para pele clara, branca e meia, e eu sou mesmo sem cor nenhuma, se me vissem na praia, acreditem, vocês confundiam-me com a areia, porque fico facilmente camuflada! ahah.

Sinceramente, fazendo uma retrospectiva do meu primeiro batom vermelho, senti mais recriminação por parte de raparigas, do que propriamente rapazes! Sou sincera, o primeiro dia fui incapaz de andar o dia todo com ele, mas rapidamente, aceitei as críticas e meio que as pus de lado, afinal se eu gostava, quem mais tinha de opinar? Eu é que estava a usar não os outros .

Durante imensos anos apenas usei batom vermelho, hoje em dia uso vermelho, rosa, laranja, até azul, verde e cinzento já usei, e sabem que mais? Nunca estive nem atenta ao que diriam. Se eu me sentia bem, era o importante!

O facto é que como na revista foi citado, o batom vermelho transmite-nos realmente confiança, segurança, e de facto é uma arma psicológica incrível! Nunca ouve um único dia que me sentisse fraca ou em baixo com um batom vermelho.

Como gosto de dizer : ” Se é para usar armadura, uso Batom vermelho!” 

Xoxo, HYL

 

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